Segundo o dicionário: que se apresenta com todos os seus componentes e propriedades originais (diz-se, p.ex., de produto alimentar). “arroz i.”

Eu acredito que vai um pouco mais além, acredito ser a utilização dos alimentos em sua totalidade sempre que possível. Evitar o desperdício é ser integral, é entender a necessidade de reciclar, reutilizar, rever conceitos e hábitos, ser sustentável.

Na minha família é costume cultivar nossos próprios alimentos, esta semana assisti uma reportagem em um telejornal de grande audiência, mostrando que cada vez mais pessoas estão buscando informações e aderindo ao plantio de seus próprios alimentos até mesmo em subsolos de prédios utilizando iluminação artificial, alguns como forma de terapia, outros por saberem dos benefícios trazidos pelo consumo de um alimento orgânico.

Vivemos em um país tropical, onde se colhe de tudo com muita facilidade, mas desperdiçamos mais da metade de tudo que é produzido, seja ainda no campo, no transporte, no armazenamento ou vencendo nas prateleiras. Segundo o Instituto Akatu, o planeta produz o suficiente para alimentar 12 bilhões de pessoas, mas quase 900 milhões vivem em insegurança alimentar. Portanto, se reduzirmos o desperdício ao menos pela metade, teríamos o dobro da oferta em alimentos, o que faria cair os preços e mais pessoas teriam acesso.

Os números são escandalosos e ficam camuflados, principalmente pelos velhos hábitos de consumo que desprezam talos e cascas que poderiam ser utilizados, folhas e frutas machucadas, sobras de pão, arroz e feijão.

Segundo a Embrapa, 19 milhões de pessoas poderiam ser alimentadas com alimentos descartados. Ainda de acordo com o órgão, o desperdício ocorre, principalmente, durante a preparação de refeições.

Planejar melhor seu cardápio, comprar apenas o necessário e não só porque está em oferta, é buscar uma nutrição mais equilibrada, para não enfrentar problemas como sobrepeso que, de acordo com o Ministério da Saúde, atinge 50% da população.

Esse assunto é bem complexo e abrange vários problemas, desde a fome infantil, até problemas ecológicos. Se pudermos fazer alguma coisa, mesmo que pequena, vamos lá, é nosso dever como cidadãos. Não é a toa que grandes Chef´s estão buscando a gastronomia sustentável, dando importância aos produtos “caseiros”,utilizando especiarias antes tidas como exóticas, estudando e desenvolvendo novas receitas com PANCS (plantas alimentícias não convencionais).

O mundo está cheio de intolerâncias, na barriga e no coração, depende de cada um de nós termos mais amor, mais saúde, mais alegria, enfim, sermos mais INTEGRAIS.

Matéria escrita para o Jornal A Cidade Ubatuba

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